Os Azereirais

O azereiro, também conhecido por loureiro-de-portugal (Prunus lusitanica) é uma planta rara, cuja distribuição natural se restringe à Península Ibérica, Pireneus franceses e Norte de África. É uma espécie avaliada como EM PERIGO pela IUCN (International Union for Conservation of Nature), ocorrendo de forma fragmentária, normalmente em orlas de bosques (marcescentes e caducifólios) e pequenos bosquetes.

É considerado uma relíquia paleotropical por ter integrado a vegetação de folha persistente e lauroide (Laurissilva) que ocupou grandes extensões na Península Ibérica durante o Paleogeno (no princípio da conhecida época Terciária), com início há 66 milhões de anos. Quando o clima se alterou e foi ficando cada vez mais mediterrânico (isto é, caracterizado pela existência de um período seco bem marcado), este tipo de vegetação foi progressivamente entrando em declínio. Hoje permanece apenas em locais muito particulares, de matiz oceânica, sempre em solos ácidos e húmidos.

Atualmente, em Portugal Continental, podem ser encontrados em alguns vales encaixados do centro e norte, em zonas com alguma precipitação no estio e/ou marcados pela presença frequente de nevoeiros, correspondendo normalmente às zonas basais das serras. Constituem formações exuberantes, sempre-verdes, semelhantes aos bosques tropicais.

O azereiro pertence à família das Rosaceae e pode alcançar 15-20m de altura, apresentando uma ramificação densa, de coloração verde-brilhante. As flores são inodoras de tonalidade branca e compõem cachos com cerca de 15 cm, florescendo entre maio e julho. Os frutos são carnudos (drupas), com cerca de 1 cm. Estes têm inicialmente uma coloração verde, passando a púrpura escura a negra quando maduros.

Estas comunidades de elevado valor patrimonial encontram-se, em termos gerais, em mau estado de conservação. Para além de sobreviverem em circunstâncias ecológicas muito particulares, são ainda ameaçados pela ação humana, onde se destacam os fogos florestais, a invasão de plantas exóticas e as actividades agro-pecuárias (esta última, sobretudo em Espanha).

O LIFE-RELICT (LIFE16 NAT/PT/000754) é um projeto de conservação que teve início no final de 2017 e que pretende fazer a diferença, isto é, inverter a tendência decrescente destas comunidades em Portugal Continental, melhorando também o seu estado de conservação. Venha conhecer este projeto em http://www.liferelict.ect.uevora.pt/.

Outras curiosidades

A sua madeira tem sido usada, em Portugal, no fabrico de pequenos utensílios.

Bons exemplares destas comunidades podem ser visitadas na Mata da Margaraça (Arganil) e em Cabeça e Casal do Rei (Seia).

 A missão de preservar as Relíquias da Laurissilva Continental acontece também Serra de Monchique, com a preservação das comunidades de adelfeira (Rhododendron ponticum subsp. baeticum) que será apresentado num próximo artigo.