Noitibó-cinzento – Caprimulgus europaeus

Também conhecido, dependendo da região, como Chupa-cabras, Latibó, Laribó e Boa-noite, esta ave chega de África para nidificar em Portugal entre Abril e Maio, e parte em meados de Setembro e Outubro. No Sul de Portugal é mais escasso do que no restante território de Portugal Continental. O seu canto, que se começa a ouvir no crepúsculo e pode ser confundido com o som de uma Rã, é rico nas vocalizações sobretudo durante os rituais de acasalamento, quando os machos acompanham essas vocalizações com batimentos ritmados das asas. Alimentam-se sobretudo de borboletas nocturnas, escaravelhos e outros insectos voadores que capturam durante a noite aproveitando, muitas vezes, as áreas com luzes públicas que atraem os insectos. Muitas vezes são atropelados nas estradas quando estão parados no chão por baixo dos postes de iluminação enquanto esperam pela chegada dos insectos. O bico muito pequeno mas uma boca que “abre até às orelhas” aliado a uns grandes bigodes, permite-lhe caçar em voo e engolir vivas as presas.

Foto 0 – Camuflagem.

O macho é que prepara o ninho numa pequena depressão no solo normalmente em clareiras de floresta de coníferas onde ficam perfeitamente camuflados. A fêmea faz o choco durante 16 ou 17 dias, mantendo-se o macho num poleiro próximo, substituindo a fêmea durante algum tempo no início da noite e de manhã cedo.
Se a incubação for perturbada pode prolongar-se por mais 3 ou 4 dias e por vezes podem mudar o ninho para outro sítio afastado uns metros do primeiro local.

Foto 1 – No poleiro pronto a caçar.

Depois de nascerem as crias as fêmeas mantém-se no ninho durante todo o dia e à noite ambos os progenitores caçam e alimentam-nas.

Foto 2 – No ninho.

Tive a sorte de acompanhar a incubação de dois ovos e a consequente criação das duas crias que nasceram, num ninho instalado numa clareira num pinhal, em Fão, dentro do Parque Natural do Litoral Norte.
As fotos que se seguem, e os vídeos então feitos, foram obtidas por controlo remoto e a colocação das câmaras foi feita com camuflagem e aproximação cuidada e demorada, evitando qualquer perturbação.

 

Foto 3 – Os ovos.

Foto 4 – As duas crias, nesta foto com 6 dias.

Foto 5 – Alimentação das crias.

Carlos Rio