A acelga-brava ou marítima – Etnobotânica

Quando virem um tufo de ervas muito viçosas e brilhantes muito provavelmente estão perante uma acelga-brava e deu origem a muitas variedades cultivadas um pouco por todo o mundo!

Esta erva é muito fácil de identificar e podemos encontrá-la ao longo das arribas costeiras, nas dunas e em solos no interior com alguma salinidade e humanizados. Quando o solo é fértil a acelga-brava manifesta grande vigor com folhas grandes e brilhantes. Infelizmente, vejo com demasiada frequência estas plantas queimadas pelos herbicidas em espaços públicos, tal é o desconhecimento ou desprezo do seu valor alimentar e até do seu potencial ornamental!

A Beta vulgaris subsp. maritima, como é o seu nome científico, pertence à família das Quenopodiáceas. Consoante as condições do local é bienal ou vivaz. Como hibrida com facilidade com as variedades cultivadas, como a beterraba roxa, a beterraba for­rageira e inúmeras outras, todas elas originadas a partir da espécie ancestral, surgem plantas com uma grande variabilidade na forma das folhas, por exemplo, algumas são triangulares ou lanceoladas (parecem pontas de lança), outras são mais largas e frisadas, a nervura central também pode ter largura variável.

É rica em vitaminas B1, B2 e C, e em sais minerais, em especial ferro e potássio. Tenho de alertar para o facto de que se deve evitar o consumo das acelgas quando ficam avermelhadas, pois significa que concentram oxalatos podendo originar cálculos urinários.

É de consistência tenra e muito versátil na cozinha. Podemos usá-las exatamente do mesmo modo que as acelgas cultivadas, portanto é excelente em sopas, esparregados, revoltos (omeletes), soufflés ou também em saladas e sobremesas!

Ingredientes:

Parte de cima: adoçante (130g de geleia de arroz ou 70g de mel ou 100 de açúcar), 2dl de puré de acelgas, 2 ovos, raspa de meio limão.

Parte de baixo: 130g de geleia de arroz ou açúcar, 130g de farinha de trigo, 2dl de puré de acelgas, 3 ovos, raspa de meio limão.

 

Modo de preparação:

Puré de acelgas: Bringir um pequeno molho de folhas de acelgas-bravas. Escorrer bem a água. Num copo alto medidor (ou copo misturador) prefazer o volume até 4dl com leite e triturar.

Parte de cima (pudim): Misturar os ingredientes e colocar na forma bem untada.

Parte de baixo (bolo): Separar as gemas das claras. Bater as gemas com o adoçante, juntar a farinha, o puré de acelgas e a raspa de limão, misturando muito bem. Bater as claras em castelo e incorporá-las cuidadosamente (sem bater) na massa. Colocar na forma (já com o preparado do pudim) distribuindo bem.

Levar ao forno cerca de 45 minutos a 180ºC. Desenformar quando arrefecer.

Aceda também ao vídeo da série Natureza Comestível:  https://youtu.be/BWIEyHD5Fhg

Alexandra Azevedo