Aves Necrófagas da Península Ibérica

Em Portugal podemos observar três dos quatro Abutres da Península Ibérica: O Grifo (Gyps fulvus), o Abutre-do-Egipto (Neophron percnopterus) e o Abutre-preto (Aegypius monachus). O Quebra-ossos (Gypaetus barbatus), o 4º Abutre que se pode observar na Península, está extinto em Portugal há muitas dezenas de anos, pelo que só pode ser observado em determinadas regiões de Espanha.

Tive o privilégio durante os últimos quatro anos de percorrer o nosso país e algumas regiões de Espanha, principalmente a região dos pré Pirinéus Catalães, para fotografar e observar estes gigantes dos céus.
A alimentação, as lutas e os voos planados que fotografei e os conhecimentos que adquiri durante este processo, quer por observação directa, quer pelas informações recolhidas de especialistas que estudam e trabalham para a conservação destas espécies, fez-me sentir a necessidade de partilhar toda esta informação com o público em geral.

As mais de cem fotografias, os textos de especialistas, e o que senti nos momentos em que fiz cada uma das fotografias, estão reunidas no livro “Aves Necrófagas da Península Ibérica” que apresentei em Dezembro último.
As aves necrófagas têm um papel importante na higienização dos ecossistemas porque se alimentam das carcaças dos animais mortos, evitando deste modo a disseminação de uma série de doenças. E é importante que todos tenham esta consciência e sintam a necessidade de conhecer estas aves, de ajudar a preserva-las e a conservar os seus habitats. 

Agora que uma empresa farmacêutica pediu autorização ao governo Português para comercializar um medicamento anti-inflamatório de uso veterinário que contém a substância activa “diclofenac”, e que já foi banido numa série de países e substituído por outro medicamento comprovadamente inócuo para as necrófagas e outras aves que também têm alguns hábitos necrófagos, nomeadamente na Índia, onde a ingestão de carne proveniente de vacas tratadas com “diclofenac” levou quase à extinção a população de aves necrófagas, mais o livro faz sentido para o conhecimento destas espécies, da sua importância e do perigo que correm.

Espero que o poder desta indústria não se sobreponha à chamada de atenção feita por um conjunto de Organizações Não-Governamentais de Ambiente Portuguesas acerca deste pedido e às consequências que com certeza advirão se este medicamento passar a ser comercializado em Portugal.

Carlos Rio